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Je suis enchantée de votre visite! Remarquez que ce blog (n'est pas un blog-périodique), est construit autour des (désignés comme) voix et regards au féminin et au masculin à travers les contributions de l'Art. Il ne me reste que vous désirer deux toutes petites choses: qu'ayez plaisir ici et... qu'il soit partagé=comenté:-) avec moi.
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!Hola! !estoy encantada con tu visita! mira una cosilla: este blog no es de edición diária ?vale?. Es un blog centrado en las (designadas como) voces y miradas en el femenino (y en el masculino), segundo las aportaciones de L'Arte. Mis votos de que disfrutes por acá y... de que puedas compartir conmigo ese placer :-).
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emedeamar de Maria Toscano está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional Baseado no trabalho disponível em http://emedeamar.blogspot.pt/.
15 June 2007
13 April 2007
comunicarte
29 March 2007
«Bunda - Paixão Nacional», por Gilberto Freyre - Sociólogo, Escritor, Poeta...
De onde vem o encanto do brasileiro pela bunda? O professor Gilberto Freyre, que estudou nossas raízes sociológicas em Casa-Grande & Senzala, aceitou o desafio de investigar as origens dessa magnífica preferência num ensaio. Por motivos de espaço, transcrevemos os principais trechos e resumimos algumas partes do estudo, erudito, de 26 páginas. Erudito, mas que nem por isso evita a ressonante palavra. Lembra alguns sinônimos, principalmente nordestinos, como bagageiro, balaio, banjo, bomba, bubu, além dos tradicionais rabo, traseiro, popô, rabicó, bumbum, tralalá e outros.
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Objetivo, ele não usa apelidos quando vai à História, anota fatos, faz uma análise e tira conclusões: o brasileiro tem suas razões para gostar de bunda. Pode não saber quais, mas tem. Vamos a elas.
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"Inclinados a tal, sob que influências vindas de longe? A esse respeito é bom recorrer-se à fonte de informação do madrugador século XVI, suprida pela própria Igreja através de pesquisas realizadas então, como se estivessem concorrendo para saberes cientificamente sociais pelo santo Ofício em atividades investigadoras no Brasil. Suponho ter sido, no livro Casa-Grande & Senzala, o primeiro a utilizar os resultados de tais pesquisas, em obra acessível ao grande público. Constam essas informações da Primeira Visitação do Santo Ofício a Partes do Brasil pelo Licenciado Heitor Furtado de Mendonça. Surgem, nessas indagações secretas, homens casados casando outra vez com mulatas (talvez do tipo mulher tornada conhecida como "arde-lhe o rabo", decerto por haver se extremado em furor anal), adultos europeus ou de procedência européia pecando contra a natureza, em coitos anais ou através de luxúrias de felação, com efebos, quer da terra, quer da Guiné, participantes, alguns deles, com tal volúpia desses amplexos, que de um deles se registra a exclamação "quero mais".
Para o ideal feminino predominante no Brasil patriarcal, de "gorda e bonita", é de se supor ter concorrido influência árabe, contra a qual teriam se oposto, no século XIX, influências romanticamente européias. (...) Um ideal, o de sinhazinha adolescente, quase menina e, de tão delgada, quase sem bunda e de seios virginalmente discretíssimos, mãos e pés ostensivamente pequenos. Outro ideal, o de sinhadona de meia -idade, gorda, ostensivamente bem nutrida, dignamente bunduda, apta ao desempenho de mulher, mãe de sucessivos filhos e a cujo físico não faltavam bundas mais dignamente maternas que provocantemente sexuais. Pois para a satisfação de ardores sexuais o macho patriarcal brasileiro tinha, aa seu dispor -- por vezes defrontando-se com ciúmes de esposas ciosas de seus direitos conjugais --, escravas, mucamas, morenidades em vários graus de mulheres. Isto, dentro da reciprocidade casa grande-senzala. Miscigenadas, como se a miscigenação se fizesse através de experimentos antropologicamente eugênicos e estéticos. Experimentos que permitissem que fossem com que graduadas saliências de bundas, evitando-se os exageros africanóides.
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E aqui é preciso que se volte à observação de Havelock Ellis, quanto a uma das superioridades da mulher ibérica sobre as ortodoxamente européias estar na assimilação, pela ibérica, de remota influência africana do andar, como se dançasse. É um movimento de bundas bastante amplas -- especifique-se -- para permitirem essa ondulação como que -- sugira-se -- afrodisíaca de andar.
Ouvi, em Sussex, do escultor Henry Moore, que os olhos do artista, para criarem esculturas, precisavam não só de ver, como, pelo olhar, apalpar o que viam com vontades de esculpir. O que evidentemente reforça a sensualidade das esculturas, quando de mulheres nuas, dando-lhes maior apelo sexual: o de uma intensidade que não chega a ser lúbrica para ser sexy. Impressionista, Moore? Para lá desse ismo. Mais expressionista que impressionista. Mas na verdade, também, além desse outro ismo.
Na literatura brasileira, que autor pode ser destacado como tendo dado especial relevo ao liciante assunto? Impõe-se recordar do lúcido modernista de 22, Oswald de Andrade, que, em página de novela com alguma coisa de autobiográfico, confessa: "e enrabei Dona Lalá". Em versos, também modernistas, Manuel Bandeira refere-se a "genipapo na bunda". E em Evocação do Recife dá a entender das lindas recifenses, que viu, com olhos de menino, nuinhas, a se banharem no então também lindo e limpo Capibaribe, que entre as partes de seus corpos mais causadoras do seu alumbramento estavam as bundas.
«O texto acima foi extraído da revista Playboy nº.113, de dezembro/1984, sob o título de "Uma paixão nacional".»
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05 January 2007
25 October 2006
«Mais poético, mais real.», Eduardo Lourenço
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“A Poesia como reino preservado da revoluçäo permanente da realidade, a Poesia como “em si” e os poetas deuses-pastores desse novo Trianon säo uma ficçäo. A tentaçäo é permanente de trocar os pés de argila pelas asas de plástico, mas o voo é imaginário. O mundo onde passeiam é uma “noutra parte”, uma “transcendência” ilusória, cujos muros säo palavras magníficas mas exangues por terem perdido o contacto com o mundo como eles mesmos o perderam.
(...)
A Poesia pode ser descrita como “encarnaçäo sensível do Infinito no infinito” com uma condiçäo: a de näo fazer um em si, um Objecto, mesmo pensado como Deus, desse famigerado Infinito, mas de ver nele apenas o que ele representa para nós, a saber, “a própria existência humana, inobjectivável em sua essência”. Absurdo e inútil buscar no espaço a intuiçäo sensível para preencher o conceito de Infinito. Ela está mais próxima, täo próxima que näo pode distinguir-se e o que nós chamamos vida humana é a face externa dessa realidade näo-finita que nós somos. Esta näo-finitude é todo o seu conteúdo. Designá-la como Infinito é já perdê-la. A Poesia exprime essa aproximaçäo de nós mesmos que jamais pode ser perfeita por definiçäo. Mais poético, mais real.”
Eduardo Lourenço, “O irrealismo poético ou a poesia como mito”. In Tempo e Poesia.
Lisboa, Gradiva, 2003: 57-66..
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27 June 2006
La poésie est une fureur...
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La poésie est une fureur qui se contient juste le temps qu'il faut, pendant que se bande l'arc, là, au milieu de la flèche.
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.Elle doit respirer, elle s'étire d'aise et puis s'en va, vers sa destination.
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.J'avais la phrase dans les mains, comme une grenade avant l'éclatement. Eh bien, je lancerai des mots, dans la foule, au hasard, et les livres ne seront plus de mise. On lancera la poésie, avec les mains, avec des caractères gutturaux, -du romain deglotte- : des cris jetés comme des paquets parleurs à la face de la commodité et du confort plastifié.
.J'étais au milieu de la rue. J'étais aussi là-haut, aux fenêtres, entre la vitre et l'univers clos de l'inconnu et du possible, comme un store, et je mesurais de là, l'étendue, la forme, les cris de la ville: les murs à la verticale de la chaussée, autant de jambes prometteuses de " bonnes confitures", murs de nylon, murs de graines,murs des slips, des moutardes, des consommés à légumes déshydratés, mur des lignes d'aviation comme des bras d'oiseaux à la limite du mur voisin où il n'y a plus de mur mais un montant deciment et une porte.
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.La porte.
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.Je finirai bien par le trouver ce style de l'invective. J'ai le papier qu'il faut, et l'encre aussi.
.J'attends.
.Les idées sont dans l'homme, toutes. La difficulté c'est tout simplement de les contenir.
.J'ai en moi un commissariat de police des idées. Il ne chôme jamais : de jour et de nuit, on travaille. Actuellement mes idées sont en Bretagne, près d'une tombe, mes idées ont pris le deuil de mon chien Arkel. Quand elles rentreront je leur demanderai des comptes.
.Les idées qui se promènent dans la rue sont souvent miennes. Si vous les trouvez, téléphonez à Odéon 84-00. Elles me ressemblent : des idées de chansons, des idées de meurtre, qui sait?
.Les chevaux, dans la rue, qui ramassent mes idées et qui me les rendent sont des sages. Avec des idées d'homme ils ne trouvent subitement plus aucun goût à l'avoine et ne comprennent plus. Quelque chose de très important est enrayé dans leur mécanique. Ils sont malades.
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.Léo Ferré. In «Le Style», 1962
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(nous avons changée la formatation original du texte; we've changed the original format of the text; los cambios en la formatación original son de nuestra responsabilidad; as alterações da formatação são da nossa exclusiva responsabilidade)
09 June 2006
o sonho pede realidade - María Zambrano
«(...) Não se pode dizer que aquele que sonha está privado da realidade, absolutamente livre
ou fora dela, mas sim que a padece, que está sob ela; que não pode nem contê-la, nem ordená-la, que está privado (...), despossuído de si, alienado na realidade que o invade. Alienado, em sonhos, por não ter tempo.
Mas também alienado na vigília por ter de andar no tempo, mais livre e consciente. Enquanto que em sonhos, perdido na realidade, mesmo na sua, pode deixá-la aparecer por momentos sem interferência ou sombra, só por momentos. Pois se o homem entra na vigília pelo despertar, é porque no sonho inicial que a sua vida primeira parece ser não pode alcançar-se a si mesmo, ser si mesmo.
Porque, se a vida é sonho, é sonho que pede despertar.
Alienação inicial de alguém que procura identificar-se. E daí a angústia subjacente aos sonhos, mesmo os felizes.
Pois o sonho pede realidade.(...)».
María Zambrano, In Os Sonhos e o Tempo.
Lisboa, Relógio D’Água Editores, 1994: 14 (formatação n.).
o amor abre o futuro - María Zambrano
«O amor (...) é o agente de toda a transcendência no homem. E assim, abre o futuro; não o futuro que é o amanhã que se presume certo, repetição com variações do hoje e réplica do ontem: o futuro, a eternidade, essa abertura sem limite a outro espaço e a outro tempo, a outra vida que nos surge como sendo a vida de verdade. O futuro que atrai também a história.
Mas o amor lança-nos para o futuro obrigando-nos a transcender tudo o que promete.A sua promessa indecifrável desqualifica todo o conseguir, toda a realização. O amor é o mais poderoso agente de destruição porque ao descobrir a inadequação e às vezes a inanidade do seu objecto deixa livre um vazio, aquilo que, de início, é percebido como um nada aterrador. É o abismo em que se afunda não só o amado, como também a própria vida, a própria realidade daquele que ama. O amor é que descobre (...) o não-ser e até o nada. (...). E assim, o amor faz transitar, ir e vir entre as zonas antagónicas da realidade (...). Descobre o ser e o não-ser, porque aspira a ir mais além do ser; de qualquer projecto. E desfaz toda a consistência. (p. 237)
Destrói, por isso dá nascimento à consciência, sendo ele, como é, a vida plena da alma. Eleva ao obscuro ímpeto da vida essa avidez que é a vida no seu fundo elementar, leva-a à alma e a alma à razão. (...).» (p. 238).
María Zambrano,”Para uma história do amor”, Op. Cit. :Cap. III (formatação n.).
simplicidades santas - Teresa de Jesus
« (...) Um bom entendimento, se se começa a afeiçoar ao bem, apega-se a ele com fortaleza, pois vê que é o mais acertado; e quando não aproveite para muito espírito, aproveitará para bom conselho e para muita coisa, sem ser pesada a ninguém. Quando isto falta, não sei em que possa aproveitar à Comunidade e poderia causar muito dano.
Esta falta não se vê logo ao princípio,
Porque muitas falam bem e entendem mal,
E outras falam pouco - e sem muita correcção - mas têm entendimento para muita perfeição.
Porque há umas simplicidades santas que valem pouco para negócios e estilos do mundo
e muito para tratar com Deus. (...) ». (p. 447).
Santa Teresa de Jesus, “Caminho de Perfeição” In Obras Completas. (2ª. ed.), Porto, edições Carmelo, 1978: Caps. XIV (formatação n.).
a acção do amor - María Zambrano
O amor consegue, não uma diminuição, mas sim uma desaparição dessa gravidade que, quando ele não existe, é apoio da moral, condição dos que vivem moralmente,só moralmente.» (p. 239).
María Zambrano,”Para uma história do amor” In O Homem e o Divino.
Lisboa, Relógio D’Água Editores, 1995: Cap. III.
o amor, uma indigência - María Zambrano
María Zambrano,”Para uma história do amor”
In O Homem e o Divino. Lisboa,Relógio D’Água Editores, 1995: Cap. III.
do louco amor - Juan Ruiz
Por lo que yo, en mi poca sabiduría y mucha y gran ignorancia, comprendiendo cuántos bienes hace perder el loco amor del mundo al alma y al cuerpo, y los muchos males a que los inclina y conduce, escogiendo y queriendo con buena voluntad la salvación y gloria del Paraíso para mi alma, hice este pequeño escrito en muestra de bien, y compuse este nuevo libro en el que hay escritas algunas mañas, maestrías y sutilezas engañosas del loco amor del mundo, del que se sirven algunas personas para pecar. Y al leerlas y oírlas el hombre o la mujer de buen entendimiento, que se quiera salvar, elegirá y hará el bien [...]. Tampoco los de corto entendimiento se perderán, pues, al leer y meditar el mal que hacen —o que tienen intención de hacer— los obstinados en sus malas artes, y viendo descubiertas públicamente las muchas y engañosas artimañas que usan para pecar y engañar a las mujeres, avisarán la memoria y no despreciarán su propia fama [...] y rechazarán y aborrecerán las malas artes del loco amor, que hace perderse a las almas y caer en la ira de Dios [...].
No obstante, como es cosa humana el pecar, si algunos quisieran —no se lo aconsejo— servirse del loco amor, aquí hallarán algunas maneras para ello.
Y así este mi libro bien puede decir a cada hombre o mujer, al cuerdo y al no cuerdo, tanto al que entienda el bien, elija la salvación y obre el bien amando a Dios, como al que prefiera el loco amor en el camino que recorra: te daré entendimiento [...]»
Juan Ruiz, Arcipreste de Hita (Espanha, primeira metade séc. XIV): Libro de buen amor [Prólogo en prosa]. Versão actualizada (J.A.S.S.)








